sábado, 4 de junho de 2016

JORNAIS ANTIGOS (OLD NEWSPAPERS / PERIODICO / SUPLEMENTO / COMIC STRIP) - THE SPIRIT 1941 (THE BALTIMORE SUN JOURNAL - EVERY SUNDAY) / WILL EISNER


THE SPIRIT 1941 (THE BALTIMORE SUN JOURNAL - EVERY SUNDAY) / WILL EISNER / Tendo iniciado no dia 30 de março de 1941 todos os domingos no jornal The Baltimore sun, essa é a primeira história em tiras de jornal, publicada neste matutino na época, embora mais de 20 jornais publicaram suas histórias, inclusive sua estréia foi em 1940. alguns jornais que publicaram suas histórias: The Detroit News, Miami Beach Daily Sun, Minneapolis Star Journal, The Chicago Sun, Montreal Standard, Parkchester Review, Philadelphia Record, The Starledger, Sunday Mirror, The Sunday Star, etc. Aqui no Brasil, o personagem surgiu em publicações clássicas e disputadas ainda hoje entre colecionadores de quadrinhos, como Suplemento Juvenil, O Globo Juvenil, Gibi Semanal, Eureka e Grilo e teve publicações solo pelas editoras L&PM, NG, Abril, Metal Pesado, Acme e Panini Comics. Uma criação do cartunista Will Eisner, foi publicado pela primeira vez no dia 2 de junho de 1940 no suplemento dominical de 16 páginas conhecido informalmente como "The Spirit Section", distribuído para 20 jornais pelo Register and Tribune Syndicate com uma tiragem combinada que alcançava 5 milhões de exemplares a cada publicação e que continuou até 5 de outubro de 1952. Will Eisner trabalhou como editor, e também escreveu e desenhou a maioria das histórias. 


Citado por um dos jornais em que era publicado na época, o texto deixa bem claro ao leitor e futuro fã do personagem, que "The Spirit é um ser humano comum, passivo de acertos e erros, e talvez o único vigilante que combate o crime proveniente da verdadeira classe média", tinha como identidade o heróico jovem detetive Denny Colt. A idéia inicial para esclarecer o personagem aos leitores sobre o título, era a de um presumido morto nas primeiras três páginas da história inicial, onde Colt mais tarde, se revelou ao seu amigo, o Comissário de Polícia de Central City Dolan, explicando que estivera na verdade mantido em um tipo de animação suspensa causada por uma experiência do arqui-vilão Dr. Cobra. Quando Colt acordara no cemitério de Wildwood, estruturou uma base ali e, utilizando-se de seu anonimato, começou uma vida de luta contra o crime, vestindo apenas uma máscara domino, terno azul, gravata vermelha, chapéu fedora e luvas como disfarce. Spirit pratica a justiça com a ajuda de seu assistentes, o menino negro Ebony White (Ébano no Brasil), financiando suas ações com as recompensas pela captura dos bandidos. The Spirit era associado inicialmente, à cidade de Nova Iorque que depois foi mudada para Central City, mas suas aventuras são ambientadas em todo o globo. Seus inimigos são tipos excêntricos, malucos e mulheres fatais, a quem aplica sua própria justiça. 


As histórias mudaram continuamente, mas alguns temas permaneceram constantes: o romance entre Spirit e a filha do Comissário Dolan, a protofeminista Ellen; a história anual natalina ("Christmas Spirit"); e The Octopus (um mestre do crime criminoso psicopata que nunca foi visto, exceto as suas características luvas). Outros artistas que colaboraram sem créditos com o trabalho foram Jules Feiffer, Jack Cole e Wally Wood, que respeitaram a visão singular do autor para com o personagem. Entre as décadas de 1960 e 1980, o herói foi publicado pela Harvey Comics, e recebeu muitas republicações da Warren Publishing e Kitchen Sink Press. Nas décadas de 1990 e 2000, Kitchen Sink Press e DC Comics publicaram novas histórias do Spirit, de autoria de outros artistas. As histórias de The Spirit tinham sete páginas cada. As 16 páginas da seção do jornal normalmente incluíam mais duas tiras com quatro páginas cada (inicialmente Mr. Mystic e Lady Luck). A história mostrava semelhanças com Batman e Dick Tracy, com vilões coloridos e era contada em sequência rápida. Sua origem e a máscara negra lembra o popular Lone Ranger (Cavaleiro Solitário, ou Zorro como oi renomeado no Brasil devido a máscara). No processo de criação do personagem, Will Eisner sempre quis escrever coisas melhores do que super-heróis, dizia ele! As revistas em quadrinhos tinham sido um gueto. 



Eu vendi minha parte da empresa para meu sócio e então comecei The Spirit. Eles (os jornais na disputa pelo crescimento das revistas em quadrinhos / comic book) queriam um personagem heroico e uniformizado. E perguntaram se teria um disfarce. Eu coloquei uma máscara nele e disse: "Sim, ele tem um disfarce!". Sobre o personagem e o tipo de histórias, Eisner contou em 1978 que o desejo de escrever contos mais próximos da realidade, mesmo havendo possivelmente, vilões exagerados. Eu sempre respeitei os quadrinhos como uma mídia legítima, mas mídia. Criando um detetive, eu conseguiria um veículo adequado para o tipo de histórias que eu poderia melhor contar . O pessoal do syndicate não concordava comigo. Em minha primeira discussão com 'Busy' Arnold (dono de um jornal de Chicago), sua ideia se concentrava em um tipo de super-herói vestindo uma roupa uniformizada; nós não usávamos o termo "super-herói" naqueles dias e eu argumentei veementemente contra isto porque eu já tivera minha cota de criação de heróis uniformizados na Eisner and Iger. Daí numa noite, por volta das três da madrugada, quando ainda trabalhava tentando encontrar algo, ressaltando que eu tinha apenas duas semanas para produzir a primeira revista, pois todo o negócio foi muito rápido e urgente, imaginei um herói fora-da-lei, apropriado, eu achei, para os leitores adultos. 


O nome do personagem, conforme Eisner disse naquela entrevista, veio de Arnold: "'Busy' Arnold me ligou e sugeriu um tipo de fantasma ou alguma espécie de personagem metafísico. Ele disse: "Que tal uma coisa chamada The Ghost? E eu respondi: 'Não, não é nada bom' e ele continuou: 'Bem, então chamamos de Spirit; nada existe em volta'. Eu disse: 'Bem, eu não sei o que isso significa'. E ele retrucou: 'Bem, isso é com você. Eu apenas gosto das palavras "The Spirit". The Spirit tinha inicialmente oito  e depois sete páginas de uma série de um vigilante urbano contra o crime, acompanhado inicialmente das aventuras de "Mr. Mystic" e "Lady Luck", completando as 16 páginas do suplemento dominical (informalmente chamado de "The Spirit Section"), distribuído em 20 jornais cuja circulação combinada alcançava 5 milhões de exemplares. O lançamento foi em 2 de junho de 1940, e continuou até 5 de outubro de 1952. Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, Eisner foi convocado pelo exército, com apenas seis meses para resolver suas coisas. Na ausência do artista, o syndicate que comercializava seus quadrinhos passou a usar escritores e artistas fantasmas para continuar a história, entre eles Manly Wade Wellman, William Woolfolk e Lou Fine. Porém, muitos fãs acreditam que as melhores histórias são aquelas que Will Eisner escreveu e desenhou. 


O amarrotado e corajoso herói mascarado, que tinha sua base sobre a tumba de sua identidade de Denny Colt, supostamente morto, detalhava o cenário da cidade grande, refletindo e influenciando os filme noir da década de 1940. Em algumas aventuras o herói aparecia pouco, quase de forma incidental, enquanto a narrativa principal desenvolvia um drama da vida real passado nas ruas, nos cortiços dilapidados e nos quartos esfumaçados. Ainda que violento e passional, The Spirit trazia humor, sutil ou ostensivo. Ele era metralhado, feito de bobo, machucado, muitas vezes espantado e próximo da imobilidade e constantemente enganado por mulheres bonitas. Eisner desenvolveu um estilo cinematográfico; com o uso de sombras e ângulos diferentes de visão (inspiração tirada de Film noir). E desenhava de forma que o leitor se identificasse com o personagem. O título "The Spirit" era normalmente integrado ao fundo ou a paisagem da primeira página de cada série. comentar sobre o personagem, daria para escrever um livro, mas vale a pena deixar a postagem aqui, de outras fases das publicações dos quadrinhos e algumas curiosidades, como por exemplo nos anos 60, onde uma história de cinco páginas de Spirit, ambientada na cidade de Nova Iorque, apareceu como parte de um artigo de 6 de janeiro de 1966 no New York Herald Tribune. A Harvey Comics republicou muitas histórias de Spirit em dois álbuns gigantes, em outubro de 1966 e março de 1967, com novas capas de Eisner. A primeira dessas revistas de 60 páginas abriu com uma nova história de sete páginas recontando a origem de Spirit por Eisner (com a arte-finalização com ajuda de Chuck Kramer). Também novo foi o texto "An Interview With the Spirit", creditado a Marilyn Mercer; e duas páginas escritas e desenhadas por Eisner com o título "Spirit Lab: Invincible Devices". Sete tiras de 1948-1949 foram republicadas. A segunda revista abriu com uma história de sete páginas inédita escrita e desenhada por Eisner, "Octopus: The Life Story of the King of Crime", narrando pela primeira vez a origem do nêmesis de Spirit, The Octopus, bem como revelando seu nome (Zitzbath Zark). Também inédito foi o texto de duas páginas com o título "The Spirit Answers Your Mail", e duas páginas escritas e desenhadas por Eisner com o título de "The Spirit Lab: The Man From MSD". 


Foram republicadas sete aventuras do Spirit, de 1948-50. Nos anos 70, a Warren Publishing e mais tarde Kitchen Sink Press de Denis Kitchen republicaram muitas aventuras, primeiro em revistas de tamanho grande, em preto e branco (com eventualmente uma seção colorida), depois em formato trade paperback. As revistas receberam novas capas de Eisner. Duas novas aventuras foram escritas durante esse período: "The Capistrano Jewels", história de quatro páginas publicada na segunda revista da Kitchen Sink republicada em 1972; e "The Invader", com 5 páginas (republicada em The Will Eisner Color Treasury). A revista 30 da série da Kitchen Sink trouxe "The Spirit Jam", com um roteiro de Eisner a arte-finalização de algumas páginas, mais a contribuição de outros 50 artistas. Já nos anos 80, a Kitchen Sink Press republicou o trabalho de Eisner depois da guerra, em quadrinhos coloridos. Foi começada outra série para republicação das histórias iniciais; mas foram lançadas apenas 10 edições. Anos 90 e os posteriores, a Kitchen Sink também publicou uma série inédita de Spirit entre 1996-1997, incluindo contribuições de Alan Moore, Dave Gibbons, Paul Chadwick, Neil Gaiman, Joe R. Lansdale e Paul Pope. Em meados da década de 2000, DC Comics começou a republicar The Spirit cronologicamente, em tamanho menor do que as publicações de Kitchen Sink e Warren. A última aparição de The Spirit (produzida por Eisner) está em um número recente de The Escapist, publicação da Dark Horse Comics. A DC Comics lançou o exemplar único (one-shot) Batman/The Spirit em janeiro de 2007, com texto de Jeph Loeb e arte de Darwyn Cooke e J. Bone, que introduziu Spirit no Universo DC, apesar de uma breve aparição em Batgirl: Year One. A primeira revista da série The Spirit, escrita e desenhada por Cooke e arte-finalizada por J. Bone, estreou no mês seguinte. A publicação foi até o número 32 (agosto de 2009), com aventuras de 22 páginas em sua maioria. A série atualizou alguns conceitos, como a habilidade de Ellen com a Internet ajudando a resolver um caso, e Ebony White despojado de seus estereótipos raciais. Mark Evanier e Sérgio Aragonés foram os artistas regulares da série, e Mike Ploog e mais tarde Paul Smith providenciaram a arte-finalização. Em 2009, a DC licenciou o personagem novamente para o evento The First Wave, faziam parte desse universo: Doc Savage, Batman, Canário Negro, Falcões Negros, O Vingador, Rima, entre outros. Em 2013, IDW Publishing publicou uma minissérie em quatro edições: The Rocketeer & The Spirit: Pulp Friction, trata-se um crossover como personagens da série The Rocketeer de Dave Stevens. As quatro edições foram encadernadas em uma graphic novel de capa dura. Em 2015, a Dynamite Entertainment obteve os direitos para publicar novos quadrinhos, começando com uma história de Matt Wagner, "Who Killed The Spirit?" 


Uma curiosidade interessante sobre o personagem Ebony White, é de que Will Eisner, foi muito criticado pela criação do personagem, o parceiro afro-americano mirim de Spirit. O nome ("Ébano Branco") é um trocadilho racista em inglês e o desenho do rosto dele, com olhos brancos grandes e lábios rosados proeminentes, são típicos dos blackface, popular caricatura da era "Jim Crow". Eisner mais tarde admitiu estar consciente de ter estereotipado o personagem, mas disse ter feito isso com "responsabilidade". E argumentou que "o humor da época consistia em inglês falado incorretamente e diferenças físicas". O personagem era tratado com respeito pelos seus amigos coadjuvantes da série, indo além dos estereótipos conforme as publicações evoluíam. Eisner introduziu outros personagens afro-americanos como o Detetive Grey, que desafiava os estereótipos populares. Em 1966 New York Herald Tribune destacou o ex-gerente do escritório de Eisner e depois jornalista, Marilyn Mercer, que escreveu: "Ébano nunca atraiu críticas dos ativistas negros (de fato, Eisner foi congratulado por tê-lo utilizado nas tiras), talvez porque, apesar de fala dele ser própria dos personagens dos Minstrel Show, derivava-se na verdade de outras tradições literárias: combinava Tom Sawyer e Penrod, com um toque do herói de Horatio Alger, e a cor da pele realmente não tinha nada a haver. 



Para finalizar, algumas características dos principais personagens que contracenam nos quadrinhos do herói: "The Octopus" é o arqui-inimigo de Spirit. Ele é um gênio do crime e mestre dos disfarces cuja verdadeira face nunca foi mostrada, apesar de poder ser identificado pelas luvas características. Na segunda revista da Harvey Comics, Spirit, da década de 1960, é dito quer o nome dele é Zitzbath Zark. "P'Gell" é a femea fatla / mulher-fatal que permanentemente tenta seduzir Spirit e levá-lo para o mundo do crime ao lado dela. Ela seduz e casa com homens ricos que invariavelmente morrem de formas misteriosas. Com o dinheiro herdado criou um império do crime em Istambul e expandiu sua influência, controlando o submundo. Ela mudou para Central City para se encontrar com Spirit, mas continua com o modus operandi de selecionar casamentos para ampliar sua fortuna e tem como aliada Saree, a jovem filha de um de seus maridos falecidos. Na versão da década de 2000 da DC Comics, P'Gell era uma jovem socialite que amava um médico que trabalhava em países do Terceiro Mundo, voltando-se para o crime quando ele foi assassinado. "Sand Saref" é uma amiga de infância de Denny Colt, e sabe que ele é o Spirit. Trabalhando como espiã, ela costuma terminar do lado oposto da lei. Apareceu muitas vezes, sempre envolvida em algum esquema criminoso. "Silken Floss" é um físico nuclear e cirurgião, que age como comparsa de Octopus. 


"Dr. Cobra" é um cientista louco cujos produtos químicos e máquinas maléficas, ajudaram Denny Colt a se tornar o Spirit. "Mister Carrion" é um vigarista mórbido que tem como animal de estimação um abutre. "Darling O' Shea" é a criança mais rica e mimada do mundo. "Hazel P. Macbeth" é uma bruxa shakespeariana e aparente poderes mágicos. "Lorelei Rox", aparentemente uma sereia, surgiu em setembro de 1948 e depois nas histórias da DC Comics nos anos de 2000. "Silk Satin" é uma alta e escultural morena que usa uma faixa branca nos cabelos, criminosa que mais tarde se regenerou e trabalha como investigadora internacional da seguradora Croyd de Glasgow. Em histórias mais recentes, foi revelado que ela tem uma filha, Hildie, o que a motiva a permanecer no caminho correto. Nas histórias da DC Comics, ela é menor, mais magra e loira, e trabalha como agente da CIA. Enfim, você tem logo abaixo, na íntegra, as primeiras 8 páginas do herói publicadas no The Baltimore Sun Journal no dia 30 de março de 1941, com um The Spirit", com traços diferentes ao que muito leitor conheceu o herói em décadas mais recentes!


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