sábado, 24 de setembro de 2016

GIBIS ANTIGOS (CLASSIC COMICS) - SANTO EL ENMASCARADO DE PLATA (RODOLFO GUSMAN HUERTA) Nº 865 - 1977 / EDICIONES JOSE G. CRUZ (MEXICO / CHILE / VENEZUELA / ARGENTINA)


SANTO EL ENMASCARADO DE PLATA Nº 865 - 1977 / Aqui no Brasil, ainda na década de 60, e diferentemente do MMA cuja mistura de artes marciais é associada ao UFC, Pride, K-1, Bushido, Dream, Bellator, Strikeforce entre tantos outros eventos de combates sangrentos de alguns anos atrás e atuais, já tínhamos nossos heróis e vilões eleitos pelo público telespectador, e fã assíduo das lutas que aconteciam aos sábados à noite pela Tv Globo, sempre no horário das 20h, tinha inicio: Telecatch Montilla, trazendo uma galeria de heróis e vilões atletas, no puro estilo da luta livre! durante dois anos no mesmo horário e canal, entre 04 de março de 1967 (data da estréia), e 27 de setembro de 1969 torcíamos loucamente por Ted Boy Marino, o "mocinho" dos marmanjos e o "garotão galã" das mocinhas de plantão! A febre teve inicio à partir daí, Na verdade, o programa foi criado pela Tv Excelsior em 1965 até 1966 anteriormente, foi parar na Globo, e após esses dois anos de vida e líder de audiência na emissora, mudou de casa novamente, desta vez, na Tv Tupi, onde ficou até 1972. Mas não pensem que parou por aí não, claro que não! O evento de lutas, também foi exibido na Tv Bandeirantes, Tv Record, Tv Cultura, Tv Gazeta, e Tv Manchete, com denominações referentes ao evento, como "Reis do Ringue", Campeões do Treze", "Astros do Ringue", "Gigantes do Ringue" entre outros eventos.



As publicações a respeito, geralmente acontecia em páginas das revistas mais badaladas da época, em especial, com matérias específicas na InTerValo, que nada mais era do que um guia de programação televisivo no final da revista, com paginas recheadas de fotografias e textos sobre a Jovem Guarda, seriados e desenhos da Tv, novelas e fofocas em geral. Gibis ou revistas do genero, não ocorreu e me surprende muito, devido ao sucesso que teve o evento. Em contra partida, o principal gibi de uma nova era, estava surgindo, “Santo, el Enmascarado de Plata”, cujo primeiro número surgiu no ano de 1952. O título trazia o famoso lutador de “catch” criado em 1942 pelo atleta Rodolfo Guzmán Huerta. Tudo começou com o desenhista e roteirista mexicano, José Guadalupe Cruz Diaz (mais conhecido como José G. Cruz), ficou popular devido a seus quadrinhos “fotográficos”, em especial e justamente, os da série “Santo, o Mascarado de Prata”. Crescido durante a revolução mexicana, começou profissionalmente aos 18 anos, fazendo historietas como “Adelita y las Guerillas”, em revistas como “Paquín”, “Paquita” e “Pepin”. A partir de 1943, Cruz começou a usar uma técnica de fotomontagem nos seus quadrinhos, que consistia em fotografar modelos para compor os personagens principais, como numa fotonovela, e colar essas fotos num cenário desenhado por ele. Essa técnica era usada por ele em séries como “Ventarron”, “Percal”, “Carta Brava”, “Tango”, “Tenebral”, “Malevaje” e “Dancing”.



A partir de 1947 Cruz começou a trabalhar também no cinema de seu país. Em pouco tempo ele se tornou o primeiro "quadrinhista" independente do México e fundou, em 1952, sua própria editora, a Ediciones José G. Cruz. Já, o protagonista de carne e osso dos quadrinhos, Rodolfo Gusman Huerta, nascido em 23 de setembro de 1917, conhecido mais popularmente como El Santo, era mexicano, lutador profissional de Wrestling, ator e um personagem folclórico no México. Santo, juntamente com Blue Demon e Mil Máscaras, é um dos ícones mais famosos dos lutadores mundiais de wrestling, e foi considerado como uma das maiores legendas do esporte mexicano. Sua carreira como Wrestler se estendeu por quase cinco décadas, durante a qual se transformou num herói popular e um símbolo da justiça para o cidadão comum em suas aventuras retratadas em revistas em quadrinhos e filmes. Sua popularidade é comparada a de Hulk Hogan nos Estados Unidos e Rikidozan no Japão. Nascido em Tulacingo, no estado mexicano de Hidalgo, filho de Jesus Campuzano e Josefina Huerta Márquez, sendo o quinto de sete crianças, Rodolfo chegou na cidade do México no início dos anos de 1920, onde sua família se estabeleceu nas vizinhanças de Tepito. Na juventude praticou o baseball e o futebol americano, mas logo se interessou pelo wrestling ou luta-livre. Na verdade iniciou-se no jiu-jitsu e logo após se voltou para o wrestling clássico. Há divergências quanto ao local e data de sua primeira competição oficial de wrestling.

Alguns relatam que foi na arena de Peralvillo Cozumel no dia 28 de junho de 1934 aos 17 anos completos, outros afirmam que foi no Deportivo Islas na comunidade de Guerrero, da cidade do México em 1935. Mas foi na segunda metade dos anos de 1930 que ele se firmou como wrestler usando os nomes de Rudy Guzman, El Hombre Rojo (O Homem de Vermelho), El Demônio Negro (O Demônio Negro) e El Murcielago II (O Morcego II). O último nome era uma “carona” da fama de Jesus Velazquez, famoso lutador de wrestler, conhecido como El Murcielago Velasquez, (O Morcego Velasquez) que era a sensação da época. Depois de uma apelação imposta à Comissão de Boxe e Wrestling mexicanos, o corpo regulatório proibiu à Guzman usar o nome de Murcielago II. Decepcionado com a decisão e ainda mais abalado com a morte de seu pai, Guzman quase abandona o wrestling. No final dos anos de 1940, Rodolfo Guzman casou-se com Maria de los Angeles Rodriguez Montaño, chamada de Maruca, uma união que produziu dez filhos, bem divididos entre cinco homens e cinco mulheres. Destes, o caçula Jorge, se transformou num wrestler com certa fama por seus próprios méritos, conhecido como “El Hijo del Santo” (O Filho de Santo). Para se ter uma idéia do que o nome “Santo” representa no México, um dos netos de Guzman (que não era filho de Jorge) obteve certa fama lutando com o nome “El Nieto del Santo” (O Neto de Santo), o que fez Jorge entrar com uma ação legal contra o uso do nome do pai.


Assim, El Nieto de Santo mudou seu nome de guerra para Axxel, mas o público ainda o trata como o Neto de Santo. Em 1942, o empresário de Guzman, Don Jesus Lomeli, juntou uma nova equipe de wrestlers, todos vestidos de prata, e Rodolfo Gusman foi convidado a fazer parte dela. Foi sugerido três nomes a Guzman, El Santo (O Santo), El Diablo (O Diabo) e El Anjo (O Anjo). Guzman escolheu El Santo. Em 26 de lulho de 1942, Rodolfo Guzman debutou como Santo, el Enmascarado de Plata, para a Empresa Mexicana de Luta Livre, num confronto contra El Lobo Negro, no qual incrivelmente Santo foi desclassificado por desferir chutes nas partes baixas do adversário e aplicar golpes proibidos pelo regulamento. Nunca se havia desclassificado um lutador no México até aquele dia, Santo era muito rude e afoito, e não ainda não tinha refinado seu estilo de luta. No decorrer da carreira e graças a sua agilidade e versatilidade, ele desenvolveria um estilo único de luta que o tornaria muito popular. Após o desastre da estréia, Santo se recupera e arrasa com os melhores wrestlers da época, como Bobby Bonales la Maravilla Moreliana e Jesús el Murcielago Velásquez. Vieram vitórias e mais vitórias. El Santo se torna um rolo compressor, tornou-se campeão nacional welter e campeão nacional dos pesos médios.

Tudo corria bem, até que na inauguração do monumental coliseu La Arena, o ainda rude e novato El Santo enfrenta seu grande ídolo e rival, El “Tarzan” López, simplesmente o campeão mundial dos pesos médios. El Tarzan com sua vasta experiência e técnica, derrota El Santo aplicando-lhe duas quedas no tablado. A derrota foi dolorosa para Santo que estava se sobressaindo na carreira até então, mas serviu para que ele repensasse e avaliasse que em competições ninguém pode se achar infalível. Os anos se passaram e a fama de Santo crescia; em 1944 formou uma dupla com El “Gori” Guerrero, uma dupla que arrasava com quaisquer adversários que surgiam pela frente. A dupla foi desfeita após derrotarem facilmente El Tarzan López e Pilusso. Os ano de 1950 marcaram Santo definitivamente; primeiro pelo falecimento de sua mãe Dona Josefina Huerta de enfarto; e em 1951, o artista e editor José G. Cruz, começou a produzir uma revista em quadrinhos de El Santo, baseando-se pela influência de seu caráter na cultura popular mexicana e de sua enorme popularidade rivalizada somente pelo legendário Kaliman. A série de quadrinhos prosperou por 35 anos ininterruptos, vindo a terminar somente em 1987. Em 17 de novembro de 1952, na Arena com mais de 10.000 espectadores, Santo obtém o seu maior troféu: a máscara do lutador Black Shadow após derrota-lo num embate. Neste emocionante confronto, Santo tinha como companheiro e assistente Dick Medrano e Black Shadow dispunha de seu compadre Blue Demon. A vitória de El Santo desencadeou uma rivalidade com Blue Demon que tomou as dores do amigo humilhado, ocasionando dois confrontos bem promovidos ainda em 1952 e outro em 1953, culminando com a derrota surpreendente de El Santo. Anos depois, apesar de aparecerem juntos em um bom número de filmes de ação e aventura, a rivalidade entre os dois nunca terminaria, pois Santo nunca conseguia esquecer suas derrotas nas mãos de Blue Demon, que visivelmente era mais alto e mais forte.



Depois destas derrotas para Blue Demon, não se soube de outro lutador que conseguisse superar Santo nos ringues. Ainda em 1952, uma série para o cinema baseada em um super-herói estava para ser lançada, seria chamada de “O Homem da Máscara de Prata”. Supostamente, o personagem principal seria de El Santo, mas ele se recusou a aceitá-lo por achar que tal projeto não teria sucesso comercial. O filme foi concluído com o papel principal dado ao lutador conhecido como El Medico Asesino (O Médico Assassino) que usou uma máscara prateada semelhante à de Santo. Um vilão chamado “O Homem da Máscara de Prata”, foi introduzido na última hora, assim o título do filme passou a ser referência ao bandido, não ao herói. Em 1954, Santo se torna o ídolo máximo da luta-livre mexicana ao derrotar Sugi Sito pelo título mundial dos pesos-médios. A seguir conquista o campeonato mundial NWA de peso welter, derrotando Peter Pancoff. Em 1958, Fernando Osés, um wrestler e ator, convidou Santo para trabalhar em filmes, e embora Santo desse prioridade a sua carreira no wrestling, aceitou, planejando fazer ambos ao mesmo tempo. Osés tinha em mente lançar um herói nos filmes com o “look” de El Santo. Fernando Osés e Enrique Zambrano escreveram os roteiros dos primeiros dois filmes, El Cérebro del Mal (O Cérebro do Mal) e Hombres Infernales (Homens Infernais), ambos foram lançados em 1958 e foram dirigidos por Joselito Rodriguez.



Foram filmados em Cuba e terminados apenas um dia antes de Fidel Castro ter entrado em Havana e declarado a vitória da revolução. Santo atuou fazendo a parte de super-herói mascarado para o “mocinho” (chamado El Incógnito) nos dois filmes, não foi o ator principal e nem representou como um lutador de wrestling nas duas filmagens. Os filmes foram um fracasso de bilheteria quando lançados. Anos mais tarde, porém, quando os filmes de Santo se tornaram famosos, os distribuidores destas duas filmagens adicionaram discretamente o nome de Santo nos títulos. A carreira cinematográfica de Santo causa sensação popular realmente a partir de 1961, com seu terceiro filme “Santo contra os Zombis”. Santo recebeu o papel principal neste filme e foi mostrado pela primeira fez como um wrestler profissional que brilhava como um super-herói. Santo trabalhou num total de 52 filmes de luta-livre, dois dos quais em papéis secundários. O estilo dos filmes era essencialmente o mesmo durante toda a série, com Santo como um super-herói que luta contra criaturas sobrenaturais, cientistas malignos, agentes secretos, alienígenas, criminosos de todos os tipos e assim por diante. Todas as obras eram baseadas em tons resgatados dos filmes-B, shows e seriados de tv norte-americanos, principalmente os retratados nos seriados da década de 1940. O seu melhor filme feito fora do México e considerado também um dos melhores de sua carreira, foi “Santo contra las Mujeres Vampiro” (Santo contra as Mulheres Vampiro) de 1962.


Neste filme, a produção foi mais valorizada, e houve uma tentativa de criar uma imagem mítica e uma atmosfera para Santo, como o último de uma linhagem de lutadores que combatia o mal. “Santo contra Las Mujeres Vampiro” foi um sucesso comercial, bateu os recordes de bilheteria, e foi um dos quatro filmes de Santo dublados em inglês. Alguns destes filmes foram importados aos Estados Unidos com os esforços de K Gordon Murray, que mudou o nome de Santo para “Samson” por conveniência de mercado. O filme mais bem sucedido financeiramente de Santo, entretanto, foi “The Mummies Of Guanajuato” (As Múmias de Guanajuato), onde Blue Demon e Mil Máscaras co-estrelaram. Muitos fãs mexicanos o consideram o maior filme de wrestling já feito. A série de filmes de Santo inspirou a produção da série similar estrelada por outros wrestlers mexicanos também conhecidos, como Blue Demon, Mil Máscaras, Superzan e Wrestling Women, entre outros. Santo estrelou com Blue Demon e Mil Máscaras em diversos de seus filmes. Quando Blue Demon o convidou para co-estrelar com ele e Mil Máscaras, sua trilogia para o cinema chamada “Champions of Justice” (Campeões da Justiça), Santo alegou estar muito ocupado com sua participação em outros filmes. Já também como técnico e empresário de luta-livre, El Santo investiu em sua grande rivalidade contra os wrestlers, Los Hermanos Espantos, o que provocou um confronto com El Espanto I, no dia 30 de novembro de 1963. A luta foi uma das mais sangrentas e disputadas de todos os tempos e valia a máscara do adversário. El Santo saiu vitorioso.


A popularidade de Santo a essa altura era estrondosa e os políticos que no início o evitavam, começaram a disputar sua presença e apoio em campanhas eleitorais. Os anos se passaram e, apesar da idade, vieram alguns triunfos como o campeonato nacional de peso-médio contra René Guajardo, foi campeão de duplas ao lado de El Rayo de Jalisco e campeão nacional semi-completo frente a Espanto I. Em 1975, aos 58 anos de idade, junto com El Gran Solitário e “Don Personalidad” Mil Mascaras, foram nomeados o trio do ano. Por volta de 1977, a onda de filmes de wrestler com seus lutadores mascarados tinha se esgotado fora do México, mas Santo continuou a aparecer em alguns poucos filmes nos anos seguintes. Seu último trabalho foi “Fury of the Karate Experts” (La Furia de los Karatecas), filmado na Florida (EUA) em 1982, no mesmo ano em que se aposentou dos ringues. Santo retirou-se oficialmente do wrestling em 12 de setembro de 1982, uma semana antes do seu 65º aniversário. Seu último combate foi realizado em El Toreo de Cuatro Caminos, no México. Sua carreira de wrestler profissional se estendeu por 48 anos. Nos seus últimos dias, Santo apareceu como um convidado no programa de televisão mexicana chamado de Contrapunto e, completamente sem aviso, removeu a lendária máscara prateada o bastante para expor o rosto sexagenário de Rodolfo Guzman. Foi o único momento registrado em Santo tira sua máscara em público. Uma semana depois de sua aparição no programa Contrapunto, ele realiza uma apresentação que o deixou esgotado, ele se dirige ao camarim para descansar e sente-se mal, é socorrido, mas morre devido a um enfarto do miocárdio; era o dia 5 de fevereiro de 1984, às 21:40 horas. Rodolfo Guzman, El Santo, tinha 66 anos e foi enterrado, como desejou, com sua famosa e desgastada máscara de prata no Mausoléu Del Angel. Seu cortejo foi acompanhado por mais de 15.000 pessoas. Ainda hoje, as edições publicadas no México do lutador, são alvo de colecionadores ávidos na tentativa de completar suas coleções!




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