quarta-feira, 21 de setembro de 2016

GIBIS ANTIGOS (CLASSIC COMICS) - QUEM FOI? Nº 97 OS INVASORES (THE INVADERS) - 1969 EDITORA BRASIL-AMÉRICA (EBAL)


QUEM FOI? Nº 97 OS INVASORES (THE INVADERS) - 1969 EDITORA BRASIL-AMÉRICA (EBAL) / As imagens e locução inicial no inicio de cada episódio dessa série, já diz tudo para os fãs e admiradores da ficção científica, principalmente sobre o tema Ufologia: "Seres de um planeta que está para ser extinto, estão invadindo a Terra. Eles têm como missão, fazer dela o seu mundo. David Vincent os viu, mas ninguém parece acreditar nele. Mesmo assim, ele terá que procurar um meio de fazer com que a humanidade descrente, saiba que o pesadelo já começou." Uma produção da Rede ABC e Quinn Martin no ano de 1967. No Brasil, a série teve sua distribuição pela Tv Interamericana do Brasil, dublada nos estúdios da Tv Cinesom – RJ. Com 43 episódios de 50 minutos de duração, a série aborda a invasão de alienígenas no planeta Terra, como uma forma de adotarem o nosso mundo, como a futura moradia deles. Tem como protagonista principal, o ator Roy Thinnes no papel do arquiteto David Vincent. Como começa um pesadelo? Para David Vincent, que voltava para casa de uma viagem de negócios, o pesadelo começou alguns minutos depois das 4h, numa madrugada de terça-feira. Ele procurava um atalho que nunca foi encontrado. Tudo começou com um cartaz de boas-vindas e a esperança de tomar um café. Tudo começou com um bar fechado e deserto e um homem cansado demais para poder continuar uma viagem. Nas próximas semanas, David Vincent voltará ao lugar onde tudo começou. 



Os Invasores chegou a ser exibido na Tv Tupi, TV Record, Bandeirantes e SBT, nos anos 60, 70, 80 e 90 respectivamente. Foi ao ar pela última vez em 1995, pelo extinto canal Teleuno, do México, que pertencia ao grupo Spelling Entertainment Inc. Foi vendido em 1998 para a Sony Pictures, dando lugar ao AXN. O canal era especializado em filmes, séries e desenhos antigos, exibiu todos os episódios com a dublagem original brasileira, produzida pela TV Cinesom/RJ. Com um fundo musical de dar arrepios, assinado pelo mestre Dominic Frontiere, o cenário é de uma localidade deserta e escura, percorrida por um Ford Sedan prateado, com teto de vinil branco (um automóvel lindíssimo que lembra o Galaxie). O episódio piloto, "Beachhead" (Cabeça de Praia), foi ao ar no dia 10 de janeiro de 1967. A fantástica saga de David Vincent estava apenas começando, um homem comum, que de forma inusitada, ao presenciar e testemunhar a aterrissagem de um disco voador, uma nave de outra galáxia, mudaria totalmente a sua vida. Durante toda a série, David Vincent passaria a ter dois únicos objetivos na vida: de forma desesperada, tentaria evitar os planos de invasão da Terra e procuraria um meio de convencer um mundo descrente de que o "pesadelo já havia começado". De que os invasores, seres de um planeta que estava para ser extinto, já se encontravam entre nós e haviam tomado a forma humana, além dos planos de invasão em massa para "fazer da Terra o seu mundo”. Além dos planos de invasão em massa para "fazer do planeta Terra o seu mundo”, e apesar de se confundirem com a aparência humana, os invasores não tinham pulsação e não apresentavam batimento cardíaco. 



Também não possuíam sangue nas veias e alguns apresentavam uma notável deformidade no quarto dedo das mãos, causada por um erro de cálculo no processo de mutação para a forma humana. Após algum tempo nessa transposição humana, precisavam se regenerar em tubos gigantescos movidos por geradores potentes de tecnologia alienígena. Seus corpos brilhavam incandescentes antes de morrer e quando eram pulverizados, sem deixar rastros ou sinais de suas presenças na forma humana. A série durou apenas duas temporadas. Como explicar o fato de que uma série de tamanho sucesso, original e bem feita, tenha encontrado seu desfecho incompleto após o seu segundo ano? Há quem diga que a produção por ter sido idealizada e creditada como uma série de ficção científica, quando na verdade, estruturalmente, não passava de um maravilhoso drama, direto e objetivo, foi um dos fatores do cancelamento. Eu particularmente não acredito, pois o telespectador bem como todo fã de uma determinada série, é seduzido por uma série de detalhes que vão desde o roteiro, fotografia, trilha sonora e direção de imagens, ou simplesmente por pura identificação e simpatia pelos personagens ou temas abordados. Segundo a crítica especializada, a série pegou uma pequena carona na idéia original da conhecida produção cinematográfica "Vampiros de Almas" (Invasion of the Body Snatchers - EUA/1956), com Kevin McCarthy e Dana Wynter, dirigida pelo fabuloso Don Siegel. Tal idéia não pôde ter sido deixada de lado, pois os próprios atores do clássico cinematográfico, reapareceriam mais tarde em dois episódios diferentes da série televisiva, “Os Espiões” e “O Cativo”. Na verdade, não podemos conceber que a idéia original da série televisiva tenha sido plagiada ou copiada de forma acintosa. Muito pelo contrário: qual série de ficção científica não traz os elementos essenciais tal qual “Os Invasores” traziam? Medo da iminente ameaça de invasão, seres assassinos de outro planeta, naves intergaláticas, muita ação e efeitos especiais. 



Até que a série se diferenciava dos demais títulos de ficção científica, porque aqueles dois últimos requisitos era o que menos importava para o público fiel, que se apaixonou pela concepção original e primeira da série. A busca incessante de um homem só por seres de outro planeta, um homem comum, sem poderes especiais e que vivia em uma solidão sem precedentes. É uma série de episódios que compõem uma trama centrada em um personagem inicialmente tido como um lunático pela opinião pública. Um arquiteto que é motivo de chacota em todo lugar que aparece, e que parece ser a única salvação para uma humanidade descrente. A concepção inicial do criador da série, o escritor, produtor e diretor, Lawrence G. Cohen, deixa claro na série, a invasão de forças superiores com o propósito de dominar a Terra e seus habitantes. O ator protagonista, Roy Thinnes, como ninguém mais, a compreendia muito bem. Para eles, Larry Cohen e Roy Thinnes, os efeitos especiais eram até certo ponto, irrelevantes e não conseguiriam superar uma boa trama ou um roteiro muito bem elaborado como os que contribuíram para o sucesso da série na primeira temporada. Numa entrevista concedida, quando do lançamento da produção da mini-série, "The Invaders" (Os Invasores - 1995/EUA), que traz no papel principal, o ator Scott Bakula, que também protagonizou uma outra série televisiva de ficção científica, “Contratempos”, Roy Thinnes, que fez uma ponta discreta no papel do próprio arquiteto David Vincent, revivendo o polêmico personagem, comentou com propriedade e  autoridade no assunto: "Os Invasores é uma série diferente das séries comuns tipo “Jornada Nas Estrelas” ou “Buck Rogers”, pois há pouquíssimos efeitos especiais. São estórias de pessoas. Os alienígenas se pareciam exatamente como nós, portanto não havia a necessidade de efeitos especiais ou de toda aquela coisa incomum e cara. Resumia-se em produzir boas estórias, tão somente." Os executivos da Rede ABC, que produziam e detinham os direitos de transmissão da série, queriam na verdade ação e ficção científica e Os Invasores não os agradava. Roy Thinnes um dia confidenciou que após o término da primeira temporada, a rede havia exigido mais ação e visual, porque segundo os executivos, os telespectadores procuravam isso. Thinnes, lembrando do fato, após o término da série, algum tempo depois de forma sarcástica e em tom de crítica, alfinetou: "Bem, não é só isso que os telespectadores querem ou buscam. 


O que eles querem realmente é um maior envolvimento com as personagens que eles de alguma maneira se identificam ou se preocupam. A segunda temporada da série foi um tanto quanto desastrosa quando acrescentou ao programa uma série de perseguições e começou a dar cobertura a muitas personagens. Era muito território para cobrir efetivamente e foi uma despedida do estudo da solidão de um homem, do medo e da paranóia, que havia sido o centro do programa na primeira temporada". Roy Thinnes nasceu no dia 06 de abril de 1938, em Chicago, Illinóis, (EUA). Jamais havia passado pela sua cabeça tornar-se um ator, mas sim um médico ou jogador de futebol americano, segundo fontes mais próximas do artista. Thinnes começou a trabalhar no rádio, onde fazia de tudo, trabalhava na engenharia do som, fazia "shows" como DJ, lia as notícias diárias e fazia dramatizações no rádio, daí surgindo seu interesse pela arte de interpretar e atuar. Quando deixou o exército, dirigiu-se para Nova York e depois para a Califórnia, onde começou a trabalhar fazendo participações em programas de séries de tevê. Roy Thinnes enfrentou momentos difíceis na sua carreira, chegou a trabalhar como recepcionista de um hotel, vendedor de vitaminas e foto copiador, até conseguir interpretar o personagem da série. Em seguida, casou-se com sua primeira mulher, a atriz, Lynn Loring, que também atuou com ele na série Os Invasores, especificamente no episódio chamado “Pânico”, no papel de Madeline Flagg. Separou-se de Lynn Loring em 1984. A mais recente aparição de Roy Thinnes foi justamente numa outra série de bastante sucesso, Arquivo X, que o colocou novamente na linha de frente de uma produção de sucesso. Ele fez na série, o papel de um alienígena, o enigmático Jeremiah Smith em 1993. Esse mesmo papel posteriormente foi totalmente modificado e mais uma vez Chris Carter, o criador da série Arquivo X, o chamou para reviver o personagem Jeremiah Smith, fazendo sua mais recente participação no último dia 25 de fevereiro de 2001, no episódio chamado “Isso Não Pode Estar Acontecendo”. 


Os Invasores é uma série bastante imaginativa e original para sua época. Ao seu final, o paranóico David Vincent jamais conseguiu atingir o seu objetivo, mesmo na curtíssima segunda e última temporada, quando foi integrante de um grupo de pessoas que também acreditavam piamente na existência dos invasores e trabalhavam em grupo para destruir os temidos planos de invasão alienígena. A verdade é que David Vincent jamais conseguiu dissipar suas próprias dúvidas e medos ou até mesmo convencer alguém dos perigos que a população estava na iminência de enfrentar. Por outro lado, os alienígenas também jamais conseguiram destruir David Vincent, o único que poderia realmente  expô-los. Na versão de 1995, também intitulada Os Invasores, desta vez uma produção no formato de uma mini-série, dividida em duas partes de quatro horas de duração cada, uma produção feita para a TV em novembro de 1995. Nessa versão, o público ficou sabendo que David Vincent, vivido pelo próprio Roy Thinnes, ainda continuava na sua solitária cruzada contra os invasores, apesar do lapso de tempo entre o último episódio da série e a nova produção. David Vincent ainda viajava pelas regiões interioranas, nutrindo e alimentando a sua obsessão de localizar os invasores e frustrar-lhes os planos de invasão. Tudo isso três décadas após o cancelamento da série original de 43 episódios. Apesar de ser uma ficção, a produção da série não perdeu a oportunidade de enfocar as mazelas da sociedade americana, dando um ar de realismo nas eletrizantes tramas elaboradas a cada episódio. A cada dia, David Vincent visitava um estado americano, sempre procurando pelos invasores. Se observarmos por um outro lado a série, David Vincent também não deixa de ser um intruso invasor. Na realidade, se observarmos por um outro lado a série, David Vincent também não deixa de ser um intruso invasor....nos lares familiares, escritórios militares ou grandes companhias de jornais. Como invasor na vida de muitos, David Vincent não parecia atingir o objetivo primeiro, que era o de revelar à humanidade que os invasores já estavam entre nós, mas de certa forma, com a sua presença e as suspeitas que levantava sobre quem quer que fosse, ele acabava por conscientizar as pessoas de seus próprios problemas e contribuía de alguma maneira para que alguém retomasse o seu rumo, para que alguns poucos envolvidos na trama endireitassem suas vidas. Questões de patriotismo, de dever cívico, lealdade familiar e valores pessoais eram atingidos dentro de uma atmosfera de paranóia sufocante. Graves erros de julgamento eram de repente transformados na vida das pessoas, que aprendiam a melhorar, a ser melhores com a mesma velocidade desenvolvida pelo disco voador invasor. Ao longo da série, o próprio David Vincent vivencia uma dualidade, ele é tido como um lunático para muitos e também se transforma numa celebridade, numa autoridade respeitada em discos voadores para tantos outros. Quando os invasores tomavam a forma humana, o disfarce mais comum era o de homens de negócios bem-sucedidos, vestidos conservadoramente de terno e gravata, muitas vezes carregando pastas ou valises, e dirigindo um Ford Sedan escuro, um carro imponente, e que carro! O utilitário utilizado pelos invasores não foi apenas uma obra de ficção do criador Larry Cohen. A nave espacial, que possuía uma cabine interna, visualmente nos lembra a forma de um chapéu, que tem uma base com um hemisfério brilhante. Tal espaçonave corresponde exatamente aos discos que eram descritos pelo guru dos OVNIS, George Adamski, que sempre afirmou ao mundo da Ufologia, que já viajou por muitas vezes, a bordo de um desses OVNIS, muito antes da sua concepção televisiva na série. Não foi apenas uma vez ao longo da trama que os invasores mostravam seres sempre uniformizados, sem  nenhum sentimento ou emoção e que recebiam treinamento através de manipulação, onde eram expostos a motivações e respostas, dentro de um centro de treinamento próprio que se prestava única e exclusivamente para orientá-los sobre o comportamento humano. Tais centros mais pareciam locais de concentração e mostravam com propriedade o mundo como os poderosos e os controladores o querem, homens obedientes e somente expostos a aquilo que os convêm, sem questionamentos e sem levantar dúvidas ou questionamentos sobre isso ou aquilo. Por esses e outros aspectos, Os Invasores se transformou em uma série “cult” dos anos 60, e somente foi finalizada de modo prematuro, por causa de uma visão "quadrada” comercial e incompreensível de seus produtores, e que até hoje, ainda acontece em muitas produções interessantes. 


Curiosidades da série: Na versão original em inglês, o ator William Conrad (da série Cannon) foi o narrador invisível da série, pelo menos nos créditos iniciais, como também na maioria das séries produzidas por Quinn Martin. Ainda hoje se pode encontrar em lojas especializadas de vídeo, o episódio piloto “Cabeça de Praia” da série. Embora tenha sido uma série antológica com apenas uma estrela principal, o ator Roy Thinnes, muitos outros atores apareceram em mais de um episódio, interpretando diferentes personagens. Num episódio, considerado raro pela época em que foi ao ar, “O Torno”, todo o elenco era de atores negros, com exceção de Roy Thinnes e Kent Smith. A série é bastante cultuada na Europa, possuindo mais fãs na Alemanha e na França. A aparência original dos alienígenas somente foi revelada uma vez, perto do final da segunda temporada, no episódio chamado “O Inimigo”. Richard Anderson, o Oscar Goldman de O Homem de Seis Milhões de Dólares, após ferir-se gravemente num acidente em seu disco voador, sofre um doloroso processo de mutação e revela realmente a horrenda forma dos alienígenas. Roddy McDowall ( O Planeta dos Macacos e Viagem Fantástica), Suzanne Pleschette, Jack Lord (Havaí 5-0), Michael Rennie (o Colecionador de Perdidos no Espaço), Gene Hackman, Burgess Meredith (o Pingüim de Batman ) e Edward Asner tiveram participações especiais em episódios da série. Boa parte da música incidental e trilha sonora de Dominic Frontiere para a série, já havia sido ouvida em “Ratos do Deserto”, além de “Quinta Dimensão”. Todas as três séries foram produções da Rede ABC, para quem Dominic Frontiere trabalhava, compondo vários clássicos inesquecíveis. Desde o primeiro episódio, o objetivo dos invasores de frustrarem os planos de David Vincent, que consistia em expô-los ao seu mundo descrente, é facilmente percebido. No piloto da série, David Vincent se encontra num local deserto e abandonado, local da aterrissagem da nave espacial que deu início ao seu pesadelo. Na localidade, durante a noite em que o ator testemunha a aterrissagem do disco voador, ele passa de carro por uma placa que identifica o nome de um bar, "Bud's Diner". Ao relatar o ocorrido a Polícia local, precisamente às 6h da manhã daquele mesmo dia, e convencê-la a acompanhá-lo até o local do pouso, a placa do nome do bar se encontrava com outro nome, "Kelly's Diner", como bem observado pelo policial encarregado da diligência. Tal fato traduz o intuito puro e simples dos invasores, em desmoralizar a estória de David Vincent, que havia informado ao policial, que o nome do bar era "Bud's Diner", como de fato era, antes da mudança proposital. Detalhes como esse, causavam um certo fascínio aos telespectadores e demonstravam o cuidado da produção televisiva.


F  I  M